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21/03/2019
Após troca de organização social, população sofre com suspensão de atendimentos no Hospital Antônio Giglio

ISSRV deixou como herança calote aos médicos, que não receberam o salário de dezembro até hoje

SIMESP
A organização social Instituto Social Saúde Resgate à Vida (ISSRV) deixou a gestão do Hospital Municipal Antônio Giglio (HMAG) no dia 6 de março, dando lugar à OS Santa Casa de Pacaembu. Desde então, o hospital tem demitido médicos e demais profissionais, o que desfalca o quadro de funcionários, impactando na diminuição de atendimentos. De acordo com denúncias recebidas pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), mesmo com a troca da administração do hospital, os médicos continuam sem qualquer vínculo empregatício e não há resposta sobre o calote deixado pelo ISSRV, que não pagou o salário de dezembro dos profissionais.

Eder Gatti, presidente do Simesp, explica que a população tem sido diretamente prejudicada com as demissões. “Procedimentos cirúrgicos e endoscopias foram suspensos por falta de equipes. Uma cirurgia agendada para o dia 16 de março foi cancelada porque parte da equipe havia sido demitida durante o plantão no dia anterior”, conta.

“Orientamos os médicos a não trabalharem para entidades que fraudam as relações de trabalho como a ISSRV e a prefeitura de Osasco, pois há grande risco de calote”, enfatiza Eder. O Simesp já encaminhou a situação do HMAG para o Ministério Público do Trabalho (MPT) e aguarda uma posição do órgão.

Problema antigo
Os profissionais do HMAG foram quarteirizados pela ISSRV (contratados por empresa que prestava serviço à OS), trabalham sem vínculo empregatício e os salários dos médicos continuam atrasados, o que levou os profissionais a paralisar os serviços não emergenciais em fevereiro. Com a troca de gestão, médicos de diferentes setores foram demitidos e não recontratados, os salários continuam atrasados e a promessa de normalização dos pagamentos não é formalizada.

O prefeito de Osasco, Rogério Lins, por sua vez não agiu para normalizar a situação ou se propôs a dialogar com os funcionários, durante a paralisação dos serviços ou agora, na troca de gestão do hospital. Mas trabalhou efetivamente para tentar desmobilizar a greve, negou que houvesse paralisação e prometeu normalizar os pagamentos. Dois meses depois, a promessa ainda não foi cumprida.

O ISSRV também praticou fraudes trabalhistas em outras cidades como Miracatu, onde os médicos celetistas têm um salário-base muito baixo e as atividades extras realizadas, como plantões e procedimentos, são pagos em caixa dois. Já em Embu das Artes, o Simesp recebeu denúncias de que a OS pagou por plantões trabalhados e em Itapecerica da Serra a empresa também contrata médicos sem vínculo empregatício.

Acompanhe a situação do HMAG:

04/02 - Médicos de Osasco estão paralisados por falta de pagamento e de contrato de trabalho

31/01 - Médicos de Osasco estão com salário atrasado

10/01 - Matéria do UOL fala sobre o desmonte da saúde


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