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Páginas Verdes
Caro Cid,
Vi a matéria, a entrevista, que saiu na revista. Na minha avaliação ela ficou muito boa, espero que você tenha gostado. Agradeço a oportunidade, esperando que contribua com os debates de saúde e qualidade de vida do Simesp. Grande abraço,
Regina Parizi
Carta dos médicos residentes à população do Brasil
Brasil, 14 de abril de 2010
Hoje, os cidadãos que estão passando pelas ruas e estão vendo os médicos residentes protestando, merecem saber os motivos que nos levaram a essa paralisação. Afinal, são usuários do SUS e também pagam a conta dos serviços públicos de Saúde. O médico residente não é estudante de medicina, como muitos pensam; é um profissional formado, que passou por seis anos de faculdade e por um concurso difícil, já que não há vagas de residência para todos os interessados.
A residência médica é uma pós-graduação em que aprendemos uma especialidade. Esse aprendizado é adquirido através de trabalho na área em que estamos interessados. Atualmente, a lei preconiza que podemos trabalhar até 60h (sessenta horas) semanais, sendo que ainda em muitos serviços a carga de trabalho sema- nal passa de 100h (cem horas).
Para nos mantermos durante o período de residência recebemos uma bolsa. Atualmente, nos serviços em que são respeitadas as 60h semanais, recebemos cerca de R$ 6 (seis reais) por hora de trabalho.
Ao contrário dos demais trabalhadores do Brasil, que trabalham 44h semanais, nós não temos 13º salário, FGTS, adicional de férias ou adicional de insalubridade, mas somos obrigados a pagar Imposto de Renda e INSS.
O resultado disso é que, para complementar nossa renda, trabalhamos em serviços além daqueles da nossa residência, nas madrugadas e finais de semana que temos livres. Com isso, resta pouco tempo para estudar, dificultando o processo de formação e muitas vezes comprometendo a assistência à população, pela sobrecarga de trabalho.
Nesse momento, os médicos residentes do Brasil solicitam que a população apoie esta causa. Exigimos respeito e precisamos de condições de trabalho dignas para podermos oferecer atenção de qualidade (integral e universal) que o povo brasileiro merece e tem por direito, garantido na Constituição.
Estamos exigindo reajuste de nossos vencimentos – último há quatro anos, 13ª bolsa, data para reajuste anual e licença-maternidade de seis meses para as médicas residentes.
Além disso, gostaríamos de contar com fiscalização eficaz para que o médico residente sempre seja assistido por colega especialista experiente, que se respeitasse o limite de horas legais, e que possamos descansar após os plantões – imaginem ter que trabalhar por mais de 24 horas consecutivas!
Esperamos, além de garantir nossos direitos, contribuir por uma assistência à saúde de maior qualidade. A nossa manifestação não visa prejudicar e sim promover melhorias no SUS, conquista do povo brasileiro, o qual também defendemos e valorizamos. Exigimos o respeito que merecemos como trabalhadores.
Associação Nacional de Médicos Residentes |